quarta-feira, 2 de setembro de 2009


20 Minutos


Carolina Morais
Aroma de manga nova
café que derrama por ti

A garrafa aberta faz com que tudo vire sim
[sim]

De manhã
De sol
De nuvem clara no céu em cima de ti
Porque és tu meu centro
dentro de uma pintura perfeita de traços imperfeitos
mal-acabados


20 minutos e o silêncio

O barulho da torrada dentre teus dentes
brancos
como as nuvens que circundam em cima de ti

através da vidraça empoeirada

da casa esquecida
,
abandonada


E eu, paro e admiro
e não como, e tenho fome

e tenho sede de ti

traço perfeito em pintura imperfeita

Homem enigmático
...

Cala-me com um beijo

que me calo com um "sim".

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Bobas reflexões pessoais sobre Felicidade
Parte I
Carolina Morais

A Felicidade existe.
Ela está, simplesmente está em tudo o que é.

É uma notícia boa,
É um sorriso,
É matar a vontade de comer brigadeiro.

A Felicidade tem nome grande
Assusta, faz com ela pareça assim
dis tan te
de ti
Mas ela está
aípertinhodentrodoqueévocê
porque você existe
E você é

Então, se você está feliz
você É feliz
Porque a felicidade não é inquilina
Ela mora
para sempre.

Ela existe
e coexiste
E borda, e desenha
e traça traços mal-feitos para que você os refaça
E você reclama, e refaz
e, vendo o produto, Fica FELIZ
E parece assim que ela volta
para ti
pertinho
nova
mente

E você mancha a camisa favorita chupando um caju
E se machuca caindo de uma árvore que teve coragem de subir
E você se arrepende por não ter gritado com aquele que trancou o cruzamento
E, no momento, só no momento
Não se sente Feliz
Mas a felicidade sempre esteve ali
na coragem que você teve em fazer as coisas que achava que não faria

Por simplesmente, arriscar.
Ser Feliz, é:
Ter a certeza de que a Felicidade está sempre ali
pertinho
do ladinho do coração, dentro da mão e entre os teus cílios.

Ela habita, para sempre, e, mesmo que você queira que ela saia de ti,
não, não tem jeito. Ela não sai, é como pele, e é como pêlo e poeira na roupa.
Felicidade é assim...
Para sempre e reticências e tudo mais.

Entender a Felicidade, é vivê-la e aceitá-la...
Viver a Felicidade é entendê-la e aceitá-la...
Aceitar a Felicidade é vivê-la e entendê-la!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Nouveau de Pântano

Carolina Morais

Águas turvas

Banham os frágeis ossos

Dourados

A doce carne atravessam

Esquece-me Deus

Nouveau de pântano


Entre a relva

Descansa a derme

Que sangra a saudade

Ao prazer da dor

Que se esvai

Em vão


Arte insone

Cegueira temporária

Finzinho de tudo

Horizonte curvilíneo

Tímida morbidez

Do presente


Cansaço

Dos adolescentes

Das memórias fragmentadas

Jaz atividade interminável

Do ser em mim


Cidade envelhecida

Tarde que não passa

Chinelos gastos

Esquecidos pelos cantos

Do asfalto úmido

Trazem a verdade

Inútil

Do ser

Em mim.


sexta-feira, 19 de junho de 2009

Delírios



Carol Morais


No limite encontro-me

Entre o desejo e o delírio

Já não durmo

Já não me foco no ser

Só há sentir

Desejo desmedido

Ânsia de corpo

Calor que não passa

O corpo que transfere alma

Já não sou o Ser

Insone

Delírio da carne

Branda em volúpia

Molha-me a aura

De Ser de outrem

Só sinto o que há

Aliste-se em mim

A noite refaz pensamento

Por momentos passados que virão

Por alvas passas de prazer

Por mornos lençóis limpos

Nunca usados

E intocáveis por quem há, um dia,

De sentir decadente dia

Morrendo pela boca da noite

Entrego-me ao sentir

Transbordo de prazer

Apenas prazer

Veneno correndo em gotas minhas

Já não sou o Ser

Insone em mim

E no vazio da madrugada

Vem teu breu banhar-me o corpo

Arranca-me a fina seda

Carrega-me por completo

Para a semente de ti

Não há pecado

Nem quimera de desalento

A solidão busca no Ser

Da mente profana

Imagem de vento

Daquele desejo

E sentir dentro de mim

Profundamente

Insonemente

Por um instante

Delírios

E você.

domingo, 14 de junho de 2009

Memórias Sentimentais de João Miramar

Postarei aqui, uma crítica desta pseudo-escritora que vos fala, sobre uma das maiores obras de nossa literatura.Espero que gostem!

O projeto modernista brasileiro do primeiro momento encontrava-se imerso em uma sociedade, mais especificamente de uma São Paulo muito movimentada, de grandes prédios, de muita agitação. O escritor Oswald de Andrade, ao escrever Memórias Sentimentais de João Miramar inova a literatura, pois, através de uma nova linguagem, desautomatiza o leitor, faz com que sua literatura cause o estranhamento e leve o leitor a pensar mais do que somente receber informações que se encontram escritas no texto. O autor leva o leitor a pensar mais, pois este agora deve "decifrar" a linguagem do livro que é quase telegráfica, enigmática. Oswald de Andrade utiliza-se de termos principais, sem ter a preocupação em descrevê-los. Deixa, então, essa tarefa para o leitor. Cabe ao leitor a criação de imagens sobre os acontecimentos com a personagem principal.

Os capítulos são curtos, mas todos apresentam uma "ação pincipal", sendo esta um acontecimento da vida da personagem que não deixa margens à ambiguidades quanto sua interpretação. O leque de possibilidades interpretativas ocorre, porém, quanto à descrição do momento, ou melhor, dos pormenores que constituem as memórias da personagem. Esses pormenores são colocados na obra de maneira enigmática, daí a possibilidade de várias interpretações, de, dependenderão da visão e da experiência de mundo do leitor.

Obra inovadora em muitos aspectos, Memórias Sentimentais de João Miramar se destaca também por apresentar uma nova linguagem e uma nova língua. A mistura de idiomas, os neologismos, todos são elementos de vanguarda que caracterizam a obra como Moderna. Oswald de Andrade utiliza-se de diversos recursos literários como sinestesias, aliterações, hipérbatos etc.

Constrói toda uma estrutura de linguagem totalmente aversa à norma culta padrão da Língua portuguesa. Seja talvez por isso que se encontre tanta dificuldade na leitura e entendimento da obra, que, em si mesma, não passa de ordinárias memórias fragmentárias de uma personagem, que conta sobre sua vida fútil, burguesa, sobre suas viagens, casamento etc. Observamos também que a obra é uma crítica à burguesia e, sobretudo, à literatura burguesa, sempre provida de linguagem erudita e estilo impecável dentro do cânone literário.

A obra revolucionou o cenário literário brasileiro, onde, pela primeira vez, o Brasil passa a ser descrito pela figura do brasileiro.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Oratório




Carolina Morais

Banha a alma

Com benta água

Turva o pecado

Entre os mofos

Da madeira

Sacristia infundada

A cruz elevada ao fim

Traças que hão de comê-la

No eterno pesar de duras penas

Negras

Raio discreto

Surge do vitral incompleto

Peças do passado

Condene a batina

Enfim

Luz sombria

Guarda ave-marias

Robustas e opacas

No gesso que um dia

Rachará levemente

No

Eterno

De

ti

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Arbustos


Carolina Morais



Fica ali
A doçura branda
Da moça que corre
No asfalto frio

Percorre
O caminho úmido
O vestido verde-oliva
O traje já gasto
Pelo inimigo tempo


Perfume
Universal
Entre arbustos
Poda o caminho inseguro
Na meia-luz de sua lua nova


Soltas ao vento
As ondas dos cachos
Macios
Enovelados no infinito
Tocam
O
Céu.