quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Sonhos
domingo, 10 de agosto de 2014
O preço da saudade
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| Gone Fishing little boy fishing with dad. painting by artist Kay Crain |
Se colocarmos no mercado, qual o preço da
saudade? Quanto custa uma vontade que nasce vontade e morre
vontade? Como avaliar um desejo que nasce e morre desejo? Como estipular o
valor da ausência? Como e a quem pagar um último afago, ou um olhar nos olhos?
Se colocarmos no mercado, qual o preço da saudade? Quanto custa o seu sorriso? Quanto custa tua mão
estendida, puxando a minha? Quanto custa tua voz grave cantando com a minha
ainda de menino? Qual o couvert para ouvir tua viola na minha sala? Há anos que
junto moedas, de todos os valores, de todos os momentos. Há tempos que busco
seus braços de volta. Há tempos que choro um choro contido…Há tempos que
calculo o preço de uma saudade que não sai de dentro de mim. Há tempos que te trocaria, hoje, anjo, outrora carne.
Carolina Morais
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Suficiente
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Judy Mackey "Heart Hug"
6 x 6 inches, Oil on board
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Insuficiente
Ninguém nasce preparado para o amor e, decerto precisamos
de anos para aprender a amar. Amar deve ser como tocar violão, ou pintar um
quadro. Nem sempre se precisa de talento, aprendemos com os erros e, mesmo com
as mãos calejadas de tanto tentar, sentimos um prazer imenso no momento em que
realizamos o amor.
Mas, amar, nem de longe é tocar violino, ou flauta doce, ou
reproduzir as maravilhosas obras impressionistas do século XIX. Amar deve ser
mais que isso. Amar deve ser novela. A
gente passa muitos meses enganando a nós mesmos, acreditando num amor que agente nem sabe se existe do lado de lá.
Quantos de nós já vivemos sufocados em um relacionamento estável? Ora, estável,
estável mesmo, desejo que seja a conexão com a minha internet e só. Quem deseja
estabilidade não deseja o amor. Quem deseja um amor verdadeiro sofre da sede de
se aventurar. Quem ama lembra, a cada segundo, da efemeridade da vida e tem
medo de perder a pessoa amada. Seja para outro coração que anseia amar tanto
quanto o nosso, seja para um vento forte ao meio-dia que a gente acha que vai
levar o nosso amor embora e nunca mais vai trazê-lo de volta!
Quem ama sente a necessidade constante de dizer que está
amando e acha que um dia é uma semana e que uma semana é um mês. Deve ser por
isso que as horas viram dias e, desligar o telefone na hora da despedida deve
ser tão difícil e ainda embebido em sofrimento neurótico e patético: "-será
que ele(a) vai me amar amanhã?”
Quem ama de verdade é bobo. Quem ama de verdade sente ciúmes,
por que, na verdade, quem ama de verdade sofre da síndrome do
eu-única-pessoa-no-mundo. Bom mesmo é nunca ter amado. Quem nunca amou nunca
foi dormir chorando, nem acordou com os olhos inchados na manhã seguinte. Quem
nunca amou sempre fez tudo o que queria.
Nunca precisou de aprovação para nada e nunca se importou em agradar alguém que
não fosse seus pais ou seus amigos. Talvez seja melhor não amar. Quem não ama
não dorme sem conforto. Melhor ocupar uma cama do que dividi-la com outro
alguém que anseia passar a noite a trocar carícias e juras com você. Ou alguém que ronca, desculpa clássica dos
autossuficientes que se orgulham por não terem um amor.
Talvez amar seja um dom universal inerente ao ser humano.
Há aqueles que preferem não amar e vivem agarrados à uma boia em meio à
tempestade das paixões espalhadas pelo
universo, mas sempre haverá aqueles que aprendem a mergulhar, aqueles cujo
pulmão cabe mais ar do que em uma latinha de refrigerante, e que acham que um
simples beijo é a cura para todos os males do planeta.
Ah, o amor! Melhor não arriscar, afinal, tem gente que diz
que prefere viver sua vida a sobreviver das migalhas de amor de outrem.
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| Though My Heart Is Torn © 2011 Karen Mathison Schmidt 5 x 7 inches • oil on museum quality, archival Gessobord |
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Sinal Vermelho
Estávamos
quase de mãos dadas, estudando com o olhar os carros que formavam uma nuvem de
fumaça, analisando o labirinto de rodas de borracha negra como a noite que caía
sobre nossos ombros soltos na pista. Foi quando o vi. Seus olhos descompassados
clareavam seu rosto pálido que ocupava um lugar quase inexistente dentro de seu
veículo cobre. Por um momento as mãos não se encontravam. A mão que me afaga
diariamente foi na frente, abrindo caminho por entre os automóveis que
insistiam em ocupar a pista que atravessaríamos naquela hora. E eu fiquei ali,
imóvel, no canteiro central. Aqueles olhos hipnóticos entoavam canções que
venciam buzinas e luzes e céus que escureciam sobre nossas cabeças cansadas.
Misto de desespero, desejo e vontade. Quis estar ali dentro, ali ao lado. Quis
ser mais mulher ao lado daquele homem de olhos de mar. O sinal já não mais
orquestrava a fila de motoristas impacientes e bocas nervosas gritavam na
esperança de fazer o trânsito seguir seu caminho. O trânsito seguiu. Ele seguiu. E eu fiquei
ali, imóvel. Ouvi gritos das mãos que me cuidam gesticulando sinais nervosos.
Voltei a uma realidade que não pensei viver. Esperei o maestro rubro parar
novamente os automóveis. Atravessei a rua. E a vida que poderia ter sido,
seguiu sem mim, para uma pausa breve em outro semáforo qualquer.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Rajás
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| Raja Ravi Varma oil painting. |
A espada enferrujada disputa espaço com adagas de uma rani qualquer
A beleza que sopra o tempo já não se esconde do sol
E a noite que adormece embalada por uma canção antiga
Desperta os anjos que dançam valsas raras no céu
A vida passa como olhos que piscam para a luz
O que é meu pertence ao espaço que não mais habitarei
Há um fim desde o começo
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
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