quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Insuficiente


Ninguém nasce preparado para o amor e, decerto precisamos de anos para aprender a amar. Amar deve ser como tocar violão, ou pintar um quadro. Nem sempre se precisa de talento, aprendemos com os erros e, mesmo com as mãos calejadas de tanto tentar, sentimos um prazer imenso no momento em que realizamos o amor.
Mas, amar, nem de longe é tocar violino, ou flauta doce, ou reproduzir as maravilhosas obras impressionistas do século XIX. Amar deve ser mais que isso.  Amar deve ser novela. A gente passa muitos meses enganando a nós mesmos, acreditando num amor que  agente nem sabe se existe do lado de lá. Quantos de nós já vivemos sufocados em um relacionamento estável? Ora, estável, estável mesmo, desejo que seja a conexão com a minha internet e só. Quem deseja estabilidade não deseja o amor. Quem deseja um amor verdadeiro sofre da sede de se aventurar. Quem ama lembra, a cada segundo, da efemeridade da vida e tem medo de perder a pessoa amada. Seja para outro coração que anseia amar tanto quanto o nosso, seja para um vento forte ao meio-dia que a gente acha que vai levar o nosso amor embora e nunca mais vai trazê-lo de volta!
Quem ama sente a necessidade constante de dizer que está amando e acha que um dia é uma semana e que uma semana é um mês. Deve ser por isso que as horas viram dias e, desligar o telefone na hora da despedida deve ser tão difícil e ainda embebido em sofrimento neurótico e patético: "-será que ele(a) vai me amar amanhã?”
Quem ama de verdade é bobo. Quem ama de verdade sente ciúmes, por que, na verdade, quem ama de verdade sofre da síndrome do eu-única-pessoa-no-mundo. Bom mesmo é nunca ter amado. Quem nunca amou nunca foi dormir chorando, nem acordou com os olhos inchados na manhã seguinte. Quem nunca amou sempre fez  tudo o que queria. Nunca precisou de aprovação para nada e nunca se importou em agradar alguém que não fosse seus pais ou seus amigos. Talvez seja melhor não amar. Quem não ama não dorme sem conforto. Melhor ocupar uma cama do que dividi-la com outro alguém que anseia passar a noite a trocar carícias e juras com você.  Ou alguém que ronca, desculpa clássica dos autossuficientes que se orgulham por não terem um amor.
Talvez amar seja um dom universal inerente ao ser humano. Há aqueles que preferem não amar e vivem agarrados à uma boia em meio à tempestade  das paixões espalhadas pelo universo, mas sempre haverá aqueles que aprendem a mergulhar, aqueles cujo pulmão cabe mais ar do que em uma latinha de refrigerante, e que acham que um simples beijo é a cura para todos os males do planeta.

Ah, o amor! Melhor não arriscar, afinal, tem gente que diz que prefere viver sua vida a sobreviver das migalhas de amor de outrem.


Though My Heart Is Torn © 2011 Karen Mathison Schmidt
5 x 7 inches • oil on museum quality, archival Gessobord