domingo, 3 de julho de 2011

Fim de Tarde

     Inúmeras faces perdidas na pequena imensidão de terra veneziana. Vestidos, luvas e bengalas disfarçadas de mastros-de-auxílio nas mãos calejadas de senhores altos e ossudos. Cenhos franzidos e bocas abertas consoantes a olhos semicerrados de enrugadas pálpebras cansadas. O sol pulsava fraco, e pulsava ritmado a baladas de fim-de-tarde. Tudo é porto em Veneza!
     Gôndolas sobrecarregadas de tecidos a se queixarem do calor, navegam dançantes pelos canais estreitos da lagoa. Gondoleiros entoam canções desconhecidas e tristes (por serem desconhecidas).    
     Há um pequeno caos em cada canto de gota salgada. Crianças gritam e choram, e choram e pedem doces. Máscaras penduradas em barraquinhas ao longo da solitária Piazza San Marco, dominada por pombos de todas as cores em tons pasteis.
Canaletto (Giovanni Antonio Canal):
"The Regatta seen from Ca Foscari", 1727 , London, National Gallery
 
     Uma moça de chapéu, atraída pelo aroma doce do café amargo italiano decide entrar no Gran Caffé Quadri. Senta-se e pede um cappuccino. Um belo moço de nariz afilado, ao ver a moça sozinha pensa o que seria de seu dia após um beijo ou dois. Fecha os olhos e toma um gole de sua água com gás, desfazendo-se de pensamentos tolos à luz do dia. Uma chuva fina banha Burano e molha as finas rendas locais. As gôndolas retornam e as pessoas embarcam em trens confusos. A praça ganha espaço e os pombos retornam aos seus ninhos em ilhas vizinhas.
     À sombra da lua há calma, paz e um centímetro a mais de água na lagoa veneziana. A cidade dorme para acordar no dia seguinte.


Carolina Morais

11 comentários:

Ana Valeska Maia disse...

Carol,
Lindo texto. Você me fez viajar!

Beatriz Amorim disse...

Olá, querida!
Tem selinho no meu blog para você!
beijão!

♪ Sil disse...

A cidade dorme para acordar no dia seguinte.
A cidade acordou!
E a saudade aumentou!

Ô menina mais lindaaaaa, que escreve mais lindo ainda:

Vim matar um cadim essa saudade!

Amooooooo você!

Liberdade. disse...

olá querida!

que texto mas gostoso,
fiz um a deliciosa viajem em sua escrita apreciei esse café com muita saudade!
um abração!

Alberto Marques disse...

O texto é belo e envolvente.

♪ Sil disse...

Carol, metade adorada de mim!

Adoro receber noticias suas!
Mata um pouco a saudade!
Aqui tá tudo bem sim, na correria que me surtaaaaa, meio temerosa com minha cirurgia, mas sei que vou tirar de letra rs.
Um friooooo que nem dá vontade de ficar fora da cama hehehe, mas tbm faz parte.
Carol, deixa eu contar:
Qdo eu vi o DVD do menino do pijama listrado, não dormi a noite e chorei por 3 dias.
Que filme triste meu Deus...que dor no coração..em saber que existiu tudo aquilo um dia...
No mais, saudade, saudade e saudade, sempreeeeeeee!
Se cuida hum!!!

Te amooooooooooooooooo!

Machado de Carlos disse...

Com as pálpebras cansadas naquele fim-de-tarde em Veneza, observava o cantarolar triste do Gondoleiro. Mas navegava, navegava. Era um sonho em tons pasteis. Tomava daquele café amargo à sombra da Lua e, cobiçava do beijo dos dois, logo do outro lado.
Belo seu texto. Escreva sempre!

disse...

Palavras vagas que nos fazem viajar!!!
Gostei!!!

Beijoss

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Carol
vc sabe dar ritmo às escritas.... muito bom, muito mesmo. É uma arte isso!

Folhetim Cultural disse...

Olá sou Magno Oliveira responsável pelo Blog Folhetim Cultural, convido lhe hoje a conhecer o nosso blog, que tem além de notícias, tem também atrações culturais. Como poesia, contos, crônicas e muito mais...

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Vinicius.C disse...

Psiu!!

Esse sumiço por mais carinho que sinto por vc, sei se desculpo não.. rs

espero que esteja bem meu amor!

Estou esperando por vc no Alma!

Beijo