segunda-feira, 5 de março de 2012

Minha

ANURAAGA, Fulay. Sleeping Woman.
Abri os olhos tão rapidamente que quase não notei que havia acordado de um sono tão inquieto. O barulhinho bom que surgia do teu peito me fez querer dormir mais um pedacinho. Alguns poucos raios de sol batiam em minha fronte com um leve ar de maresia e de alga salgada. Senti os punhos contraídos e minhas pernas envolveram-se nas tuas novamente. A cama denunciava nossos corpos moldados, cansados e belos. O teu cheiro já não era de todo teu e eu me envolvia a cada brisa macia que despenteava teus cabelos emaranhados. Senti-me sozinha por não ter comigo teu olhar penetrante, falando-me verdades inventadas por nós. Capítulos de promessas que se escondem em diários secretos guardados a um palmo de teu ventre doce. Meus seios ardiam em chamas frias e lentas como as primeiras horas dessa manhã morna. Fiquei ali te olhando por alguns longos e poucos minutos. Tu dormias um sono suave e eu te beijei com a minha melhor boca de preguiça e de amor de mulher. Deixa o dia amanhecer lá fora. Aqui dentro a manhã é de raios finos como tua cintura delgada.

3 comentários:

Arnoldo Pimentel disse...

Muito lindo seu amanhecer.Beijos

Alberto Marques disse...

A vida é feita de muitas inquietudes.

disse...

Lendo, suspirei...
Lindo!!

Beijoss