quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Rajás

Raja Ravi Varma oil painting.
Há um nada que trepida dentro do peito cansado
A espada enferrujada disputa espaço com adagas de uma rani qualquer
A beleza que sopra o tempo já não se esconde do sol
E a noite que adormece embalada por uma canção antiga
Desperta os anjos que dançam valsas raras no céu

A vida passa como olhos que piscam para a luz
O que é meu pertence ao espaço que não mais habitarei
Há um fim desde o começo

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Sombrinha



Casual

Hessam Abrishami, Closer Hearts

O sangue correndo nas veias avisa ao corpo suado que há vida. O balanço suave dos quadris e das pernas que bailam ao som de uma canção qualquer embala também colchões e tacos de madeira do piso.... frouxos. Uma caneta e um caderno com folhas pautadas em branco preenchem a escrivaninha vazia. Há o ruído que silencia os corpos nus. Há o silêncio que evidencia a presença de narinas que se dilatam. Há um resto de luz do que se diz lua lá fora. Não há chuva, não há vento. Não há carinho, pudor não há. Há de haver um pouco de beijo e há de haver um pouco de amor. Há o sim e há o amanhã. Só não há o limite do querer. Esse eu encontro perdido nas folhas pautadas do caderno em branco sobre a escrivaninha vazia.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Abstinência

Hopper, 11 a m 1926

Sol
Silêncio
Não há mais luzes na cidade
O mundo se calou
Ao meu redor
Dor
Sinto sede
Sinto um nada
Um vazio que preenche a sala
Não há mais ar para dois
Sufoquei

Carolina Morais

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Abnegação

Sad Girl
A cabeça não esquece, os olhos não captam brilho algum
O que era doce azedou
O que era vida esmoreceu
E assim se segue um tempo que não volta
Um tempo que nunca foi
Lágrimas temperadas de desamor
Um vão de coisas ditas em um não
Um universo de pecados elaborados por ti
Uma saga
Um fim



Carolina Morais



Fim

Souvenir of Sadness by Glenn Barr
Disseram-me com ares de amargura, em meu ouvido: "é que o mundo que se acaba lá fora, na verdade é o que se quebra dentro de ti"
O sol não tem mais brilho e a ampulheta da vida segue triste por perder seus grãos, um a um. Que toda a tristeza dessa dor vire sonho. E que todo o sonho vire ideia dentro de uma nuvem qualquer. Morri por dentro. Os pássaros não cantam mais. A vida é dissabor. Meu coração, petrificado, virou rocha empoeirada e rachada por tuas palavras que me queimaram a alma. O que antes, dentro de mim era amor, é agora um vulto. Dentro de mim,bem no fundo, vejo e descasco ramos secos. O que restou? -Dor.


Carolina Morais

sábado, 20 de julho de 2013

Para Refletir:

Eu sou uma pessoa que está sempre em movimento. Eu topo muita coisa e adoro aprender coisas novas. Eu adoro planejar e realizar. Porém, aprendo, a cada dia que passa, que é praticamente impossível abraçar o mundo. Melhor abraçar as pessoas, isso sim vale muito mais a pena. Sou metódica demais, e não sei até que ponto isso pode ser bom ou ruim na minha vida. Mas, é preciso ter os dois pés no chão e realizar coisas menores, que, juntas, serão maiores. Essa deve ser a ideia de conjunto, esse deve ser o crescimento que busco para mim. Refletindo, vi que a gente busca mergulhar em águas muito profundas com pouco fôlego. Na ânsia de fazer dar certo,tentamos colocar todo o ar que podemos dentro dos pulmões e mergulhar. Mal sabemos nós que o melhor seria colocar uma quantidade suficiente de ar nos pulmões e mergulhar. Aos poucos exploraríamos o oceano, sem pressa, sem pressão. E cada visita ao fundo do mar seria uma nova descoberta. Cada dia é um início, é uma vida que nasce. Tenho que tentar ser assim e é isso que desejo para todos vocês que, de certa forma são parecidos comigo. É preciso ter foco antes de se ter força, pois de nada adianta chegar a algum lugar onde não se sabe para onde se está indo. Um sábado iluminadíssimo para todos vocês!