quarta-feira, 7 de abril de 2010

Visitação

Sentada sozinha em uma sala qualquer
Como companheira tenho a solidão
Um sentimento de paz invade meu ser
Ponho-me a ler Drummond, poeta-inspiração

Através das janelas de vidro
Vejo pessoas, barulho, confusão
Debaixo de árvores velhas
estudantes conversam e namoram no chão

E eu, sozinha
Perco-me entre Toadas do amor,
Infância, Sol de Vidro e Construção,
Eis que ouço uma batida
Mas não vem do coração

Na terceira janela, da direita para a esquerda,
Batidinhas me chamaram a atenção
Poderia ser um amigo, o vento ou um ladrão
Levantei-me, fui até lá ver tal situação

Até que vejo uma criatura linda
lindinha...
Entre batidinhas no vidro temperado de verão
Vira de lado sua cabecinha, quase que sorrindo
Um passarinho visitou, enfim, minha pobre solidão.

Carolina Desmondier






Esse poema é fruto de algo que verdadeiramente aconteceu comigo hoje (07.04.10), enquanto lia a antologia de Carlos Drummond de Andrade que havia acabado de comprar. Estava sozinha, lendo Drummond, quando escutei batidinhas na janela. Levantei-me para olhar, e a criaturinha ficou lá, virando a cabecinha e batendo com o bico na janela da sala por alguns minutos. Eu nada fiz. Fiquei olhando para o passarinho e, quando ele foi embora, sorri. E escrevi. De tão verdadeiro, peço que perdoem as rimas rimas rimas(não me identifico com muitas rimas). Mas foi o que senti no momento.

9 comentários:

Lara Amaral disse...

Sentimento puro, poema terno, os versos nascem de coisas simples e são desses que mais gosto.

Beijo.

Leonardo B. disse...

[no mundo não há coincidências, mas "acontecências", que os olhos não sabem ver... mas tambor do peito,sim!]

um imenso abraço, Carol

Leonardo B.

Noé disse...

Olá Carol,
Gostei, e ainda daria para complementar assim:


Encantada na linha de uma fala que me quer,
Sorrateira companhia da ilusão,
Um pressentimento fugaz se evade sem ser,
Recomponho meu ser, bastou ler Drumond, atleta da imaginação.

Márcio Vandré disse...

Eu tenho certas literaturas que me fazem ver até borboletas amarelas! :)
Belo texto, Carolzinha! :)
Um beijo!

Eduardo Porto disse...

Que poema lindo. Passa um sentimento tão bom.

beijos meu anjo.

Srtª Elis° disse...

ahhe fcou lindoooo ...srs
um xero flor!

Carol Morais disse...

Lara: Lara, minha querida amiga, que bom que gostou. Você é muito meiga e terna. É bom te ter aqui. Grande beijo.

Leonardo B: adorei o "acontecências". Grande abraço!

Noé: Obrigada, muito inspirador. Que bom que você gostou do poema e ainda contribuiu!

Márcio: Ultimamente ando meio sem palavra com você...é muito sentimento, são muitas borboletas, é muita poesia! Grande beijo.

Eduardo: Meu amor, que bom que você sentiu algo bom ao ler. Eu amo você.

Srt Elis: Obrigada flor! Um beijo.

Augusto Dias disse...

Ao ler pensava em uma criança escrevendo, foi sincero, puro, lindo,
não se desculpe por algo tão bom.
Espero que tenha entendido e aproveitado o propósito dessa criatura lindinha que te visitou.
Tudo de bom!!!

Renata Magalhães disse...

Que lindo! Tão singelo, mas ao mesmo tempo, tão cheio de perfeição. Dádivas e acontecimentos - diria que nada inusitados - da natureza. Grande abraço!