terça-feira, 21 de setembro de 2010

Equilibrista

Cinzas se quebram na noite
O vento corre lilás e
amarelo pra longe de  mim
E eu, pobre alma s o l t a
prendo-me à corda bamba
esticada por duas janelas velhas
dos prédios de amigos de vizinhos teus.

Singular luz e singular ponto no preto plural
disforme.

Sou eu, trôpega,
equilibrando-me na tua secreta corda.
                        
Edgar Degas, Woman Bathing in a Shallow Tub,
 charcoal and pastel on light green wove paper, 1885
 (Metropolitan Museum of Art)
Equilibrando o quebranto outrora soprado
soprando um sopro de encanto
Num restinho de fantasia
Num momento, no outono
No fundo do poço
Num dia qualquer,
Num sonho, 
talvez...
Num terno amanhacer
de mentirinha.

Carolina Morais

5 comentários:

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

O que seria de nós sem essa corda bamba? É no equilíbrio dessa vida que aprendemos a segurar toda a felicidade.

Carol, quanta densidade nas suas palavras. Essa intensidade corre solto nas mãos da sua sensibilidade.

Beijo imenso, menina linda.

Rebeca

-

Márcio Vandré disse...

A corda bamba é injusta de uma forma que não nos deixa cair e não nos mantém estável.
Uma injustiça que vai nos marcar até o fim de nossos dias.

tonhOliveira disse...



É qui li... e brado!

Plac! plac! plac! Caro li na!

Tua visita COLORIU a parceria primaveril no 6vqcoisa!

Be:)os!

Saulo Taveira disse...

"Alma solta", alma de artista. Nunca estável, sempre em corda bamba, sôfrega... de mentirinha.

Beijos.

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

ai, ai
esse restinho de fantasia atrasa a vida da gente
né não?
só mais um minuto
só mais aquela coisa que eu não disse
só mais
só mai
só ma
só m
só!