sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A Mulher e o Homem [Parte 2]

Fabian Perez; Wondering at las Brujas
Ele sentiu uns poucos pingos molharem-lhe  os cabelos perfeitamente despenteados. Ela andara até a porta e, como quem susurra um segredo secular, convidara-o para entrar e tomar uma dose de alguma coisa que lhe esquentasse o corpo já encharcado com á agua da chuva que engrossara em segundos poucos.
-Não sei se posso- disse o homem sem rumo. -Não sabe se pode, ou não sabe se quer?- retrucou a mulher com um olhar tão profundo como uma bola de cristal num quarto escuro. -Vamos, venha. Eu lhe ofereço um gole de meu vinho e alguns minutos de um tempo que eu não tenho.
O homem então se levantou e foi andando em direção à porta do bar. Entrou e olhou fixamente para os homens..alguns sérios, outros tristes, outros um tanto indecifráveis. Quis sair, quis ir para casa e assistir alguma coisa repetida na televisão. Se é repetida não precisa prestar tanta atenção e tentar entender. Sorriu para a mulher de preto. A mulher não sorriu de volta, não ofereceu-lhe sequer o brilho de seus dentes pequenos. A mulher sentou e fingiu que não conhecia o homem perdido. O homem sentiu tanta raiva e pensou que tudo aquilo estava errado. Que Ele não era aquilo que estava vivendo naquela noite. Sentou na mesa do bar, ao lado da mulher. Levantou, pegou o chapéu e fez um movimento para ir embora. A mulher nada fez. Ele esperou uma reação. Ele queria ser amado, nem que fosse de mentirinha. A mulher virou de costas.O homem, enfurecido, decidiu ficar. Pediu uma taça de Veuve Clicquot para ele e meia taça de Chateau Mouton Rothschild para ela.
-Troque! Chateau de Beaucastel. Quero a taça inteira. Obrigada.- O homem olhou perplexo. Havia um tom de fúria em seus olhos, mas havia também a admiração...e o desejo.
-Você sabe o que quer! Exclamou o homem, sem controlar sua expressão de espanto e desejo. A mulher, sem olhar para o homem retrucou: - Eu não sei o que eu quero, o que eu quero é que sabe de mim. Assim vivo, ou finjo viver...todas as noites.
O homem se calou por um instante. Engoliu o espumante como se fosse água. Desejou não ter entrado, desejou não ter conhecido aquela mulher. Desejou ser outra pessoa como essas que andam de dia e carregam sonhos nos bolsos fartos...

Carolina Morais

15 comentários:

Anônimo disse...

Nooossa Carolina!
estava eu "surfing the Net" quando me deparei com seu blog! Estou gostando muito de tudo - formato, ilustrações, criatividade, sugestões, textos,... tudo enfim, até daquele barulhinho esporádico que se parece o tilintar de alguma máquina antiga..., a propósito, o que é aquilo?

Parabéns e continue me encantando (sua fã mais recente..rsrs...)com seu estilo pra lá de charmoso.

Abs,

Rita de Cássia
BH
ritadicassia@terra.com.br

★★ GIZA ★★ disse...

que bom que gostou do meu blog, porque eu gostei de verdade do seu
obrigado por aceitar meu convite de amizade
seja muito bem vinda
beijos

A.S. disse...

Carol...

Talvez me repita, mas é uma delicia ler-te!!!


Beijos
AL

flaviopettinichiarte disse...

tá ficando bom,amei o final , teria que ter ficado com reticências,bolsos fartos...
abraços!!

Carol Morais disse...

Rita de Cássia,
Nossa, quanto elogio e que astral legal que você tem e que transmite!
Eu só tenho que te agradecer por todas as tuas palavras! Elas fazem com que eu me empolgue ainda mais com esse universo da blogosfera e continue a escrever e colcoar aqui dentro o que sinto!
Obrigada, de verdade!
Bom, esse barulhinho é de um sininho de vento, conhecido como balangandã. Em alguns blogs você encontra esse sininho. Eu tinha tirado aqui do blog (pelo menos eu acho que tirei) pq algumas pessoas não gostavam..rsrs
Mas eu adoro, me lembra aqueles sininhos que a gente põe na porta.
Gosto que todos sejam bem-vindos ao blog, por isso o sininho!
Obrigada pelas palavras e pela visita!
Um super beijo!

Carol Morais disse...

Giza: você será sempre bem-vinda!

A.S: Uma delícia te ler também! =)

Flavio: te respondi lá no teu blog! Eu acatei a sugestão e já mudei! Adorei! Obrigada meu querido!

Eduardo Porto disse...

Amo seus textos. Ficar me repetindo nem adianta.

Dudu.

Ah, eu te amo também.

Eduardo Porto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João Lenjob disse...

Olha, continuo postando cinco poemas diarios em meu blog, http://lenjob.blogspot.com, mas vim apresentar o meu castelo, http://castelodopoeta.blogspot.com, que é interativo, com poemas de outros poetas, videos, curtas, entrevistas, exposições e etc..., sempre de arte, fotografia, moda e esportes alternativos e queria sua visita lá. Aguardo!
Atenciosamente,

João Lenjob

Predicativo
João Lenjob

Acordo em metominia
Vivo em prosopopeia
E durmo poesia
Te amo em soneto
Te conquisto em prosa
Te caso em conto
E em romance te vivo
Te quero em versos
Te faço em rimas
Te dou um sujeito
Te quero meu predicado
Te encho de predicativos
Sinto-te intenso um adverbio
E aprecio teus adjetivos
E quando te conheci percebi:
Eras a minha somada conjunção.

Sil.. disse...

Carol,
Ahhhh...e eu carrego tantos sonhos.
Nos bolsos,
na alma,
no coração....

Menina lindaaaaaaaa você!

Impossivel não amar a cada dia, esse ser humano que tu és!

Um abração meu!!

Lara Amaral disse...

Esse homem tá feito com uma mulher misteriosa dessas, rs.

Beijo, linda!

Pérola disse...

Bom dia Carol,seus escritos são maravilhosos,nem sempre os leios com afinco por causa da pressa e além do mais, onde trabalho os programas são bloqueados portanto ñ consigo entrar,apenas aceito os comentários pois estes chegam por imail(são liberados).
Você está de parabéns grande menina escritora. A principio, vc está linda na foto do perfil.
Beijos mil e um lindo dia.

flaviopettinichiarte disse...

bom..então continua nhe??rsrsrs...

dade amorim disse...

Ótima continuação do texto. Estou ficando com vontade de abrir um bar na varanda que não tenho.

Beijo.

Miniconto disse...

Oi, Carolina.
Grato pelo comentário em relação ao Miniconto.
O seu blogue também é bacana e bem produzido (eu demoraria uns 350 anos pra conseguir montar algo assim...).
O Miniconto também foi feito com a ideia de que as pessoas escrevem sua versão de cada texto (usando os mesmos limites de tempo e espaço).
Quando tiver um tempo, escreva lá.
Vi até q estamos sintonizados nos últimos textos: a mesma questão da relação homem/mulher, a mulher q não ri ("A mulher não sorriu de volta, não ofereceu-lhe sequer o brilho de seus dentes pequenos.").
Gostei da frase "Eu não sei o que eu quero, o que eu quero é que sabe de mim.".
Mora nos EUA?
Ia responder por e-mail, mas não achei seu e-mail aqui.
Beijos e ótimos quereres,
Anderson